O bom filho a casa retorna

Pronto, voltei! Recebi meus pais, sobrinhos, prima, tia, periquito papagaio, recebi meus sogros e outros sobrinhos, comecei um trabalho novo, voltei do recesso do trabalho antigo, me mudei pra uma ilha (que não pode entrar carro, então a mudança foi toda pela empresa “canelinha express”), continuei com a tese – claro! – fui pra Pernambuco, recebi mais visitas, fiquei permanentemente sem internet em casa – e agora voltei.

Vou tentar não sumi mais, prometo. Mas, infelizmente, não vou conseguir postar com tanta frequência. Eu queria postar todo dia, não só receitas, mas sobre as várias coisas que venho aprendendo sobre cozinha, comida, comer… Mas preciso focar em outras mil coisas e eu demoro muuuuito pra terminar um post (às vezes pq não tirei a foto de tal receita, ou preciso tirar uma dúvida na internet etc.), então a gente vai fazendo o que der, né? Inclusive postar sem foto própria às vezes, pra não deixar de postar. Até que eu consiga pegar o ritmo e produzir mais rapidinho. Ou até depois que o doutorado terminar, pelo menos 😛

Em compensação, esse blog volta mais bonito heim? Várias panelinhas, colheres e otras coisitas más que compramos pra casa nova e eu vou mostrando aos poucos 😀 Também vou começar a compartilhar com mais frequência outras dicas que tenho encontrado em minhas pesquisas, como: truques de nutrição, livros e blogs legais, utensílios úteis e multiúteis 😉

E pra estar de volta pro meu aconchego de vez, nada melhor que começar com o prato que é, pra mim, a melhor, mais sincera e mais completa tradução de confort food: o feijão de Mainha.

Mainha me ensinou a fazer feijão quando eu sai de casa, na época da faculdade. Eu fazia no apartamento que eu dividia e todo mundo adorava, acabava num instante. Depois que eu fui morar sozinha mesmo, Mainha queria me mimar e fazia um monte de comida pra mim e congelava em potinhos 😛 Acabou que eu quase não cozinhava comida de verdade, ou comia a comida de Mainha ou comia a comida da minha sogra. Só quando a gente casou e veio morar no Rio é que eu voltei a cozinhar de verdade, junto com Lucas.

Não sei o que acontecia, se falta de prática, ingredientes um pouco diferentes ou a pressão de acertar mesmo, mas o danado do feijão nunca ficava no ponto. Nem o meu, nem o de Lucas. Ou o caldo ficava ralo, ou o gosto de pimentão (ou cominho, ou vinagre etc.) ficava forte, ou o grão ficava duro… uma tristeza pra mim, que sou doida por esse tipo de feijão de caldinho grosso e batata novinha que Mainha sempre fez 😦

Daí que a quase um ano que eu não dava uma chance ao feijão com caldinho. Tinha grão-de-bico de caldinho, lentilha de caldinho, ervilha de caldinho… até feijão branco de caldinho! Menos esse tradicional. Então uma sexta eu fui preparar o almoço de sábado (já que ia passar o dia fora e não daria pra fazer no próprio sábado) e eu vi esse feijão mulatinho que eu tinha comprado pra fazer o feijão de coco da Páscoa (nhamm!). E resolvi tentar de novo fazer o feijão de Mainha, mas com os meus pitacos e modificações. A receita ficou assim:

 

Meu feijão mulatinho de Mainha

Feijão mulatinho

Ingredientes

1 xícara (chá) de feijão mulatinho

2 xícaras (chá) de caldo de legumes*

1 batata média

1/2 cenoura pequena

1 tomate

1/2 cebola

2 rodelas de pimentão

2 colheres (sopa) de coentro

1 colher (chá) de sal

1/2 colher (chá) de mostarda escura em grãos

1 alho

1 fio de azeite

Páprica picante e pimenta do reino a gosto

 

Modo de Preparo

  1. Coloque o feijão junto com caldo de legumes e mais 1 xícara (chá) de água na panela de pressão e leve ao fogo alto. Quando começar a chiar, coloque o fogo no mínimo e marque 30 minutos.
  2. Enquanto espera o feijão cozinhar, corte os legumes e verduras. Eu gosto de cortar a batata em palitos, a cenoura, tomate e cebola em cubinhos bem pequenos, o coentro bem fininho e o alho em lâminas (eu já comentei que eu tenho uma faca nova linda? ^^).
  3. Passado os 30 minutos, desligue o fogo do feijão e espere a pressão sair naturalmente. Abra a panela, acrescente todos os legumes e verduras e mexa delicadamente. Coloque cerca de 2 xícaras (chá) de água, para que todos os ingredientes fiquem coberto com caldo, mas não boiando.
  4. Acrescente todos os temperos restantes** e deixe cozinhar por cerca de 10 minutos, ou até que a batata, a cenoura e o feijão estejam macios. Sirva quentinho 😉 Pra quem gosta, umas gotinhas de pimenta Tabasco combinam bem, acrescentadas no prato de cada um.

*       Esse caldo de legumes é a coisa mais fácil e econômica do mundo! É ótimo pra receita ficar mais rica e saborosa, mas ele sozinho não precisa ficar tão marcante: ele fica ralinho e com gosto bem suave mesmo. Esse da receita eu fiz com folhas de couve-flor, talos de espinafre, a parte verde do alho poró e um pedaço pequeno de cenoura. Basta colocar tudo em uma panela e cobrir com água, depois acrescentar algumas especiarias como pimenta síria em grãos, uma folhinha de louro, 1/2 colher (chá) de grãos de mostarda etc. (o sal só entra na hora de preparar a receita). Depois de ferver, marque 30 minutos cozinhando em fogo médio, coe e guarde em um recipiente – por 2 ou 3 dias na geladeira ou até 3 meses no congelador. Você aproveita as folhas e talos que iam pro lixo e faz um caldo caseiro delícia, sem apelar praqueles cubos horrorosos :O. Ah! Claro que existe a receita clássica de caldo de legumes – vou postar aqui em breve – , e eu recomendo muito fazer, mas mesmo essa receita é bom incrementar com as folhas que iriam pro lixo.

*     Obviamente você pode acrescentar tudo que der na telha e adaptar a receita a seu gosto, mas algumas alterações mais “normais” são: cortar os legumes em tamanho maior (gomos pra batata e rodelas grossas pra cenoura), acrescentar chuchu e cebolinha, colocar uma colherzinha de vinagre branco, uma folhinha de louro…

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Foi como crescer. Sair de casa, ter sua própria cozinha, suas próprias panelas, sua independência. Mas ligar pra mãe no meio do dia pra pedir AQUELA receita que você tanto ama. Anotar tudo bem direitinho e correr pro fogão. Teve gosto de ser adulto. Mas teve gosto de casa também, cheiro de carinho, de mãe que sempre faz sua comida predileta quando você vai visitar.

Por isso a foto de hoje não foi do prato pronto, mas de amor que enche o coração da gente.

Bom apetite!

Sou toda ouvidos!

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